Olá pessoal, aqui é o Maiko Miranda.

Você já deve ter lido algum texto publicado por mim aqui no Blog. Hoje a ideia é publicar meu depoimento, pois estou muito feliz com as duas aprovações no meu Estado (Defensoria Pública e Ministério Público, ambos em Rondônia, sendo que apesar de o resultado da prova oral do MP/RO já ter sido publicado, o resultado final ainda não foi divulgado, mas considerando minhas notas, já estou aprovado).

UM POUCO DE MIM

Sou servidor público do Estado de Rondônia há quase nove anos (Oficial de Justiça Avaliador), sendo que nos dois anos anteriores fui Assistente de Promotoria e Assessor Jurídico no MP/RO, então vocês podem entender minha satisfação pela aprovação para Promotor de Justiça naquela instituição.

Apesar de exercer a função de Oficial de Justiça há tanto tempo, os estudos ficaram de lado desde então, pois o último concurso público que prestei foi em 2010 para Defensor Público aqui em Rondônia, quando já não estava mais estudando (fiz 48 pontos na 1ª fase, a nota de corte foi 61).

O INCENTIVO AOS ESTUDOS

No início de 2017, após sete anos sem estudar, um amigo (Rodrigo), Promotor de Justiça na Comarca em que eu trabalhava, me encorajou a iniciar os estudos para o concurso do MP/RO que estaria por vir, ainda em 2017.

Lógico que fiquei assustado, refutei a ideia por estar muito tempo afastado dos livros, mas ele me disse algo que foi decisivo para minha aprovação: “estude com estratégia, desde o começo”.

Lá fui eu, todo inexperiente, iniciando meus estudos ao final de fevereiro de 2017 para um concurso que poderia ter início em julho ou agosto do mesmo ano. Doidera, né!

Já adianto, sempre fui um aluno mediano, passava de ano “raspando”, já tive que fazer algumas provas de recuperação. Não sou melhor do que ninguém, nem me julgo mais inteligente. Aprendi que a inteligência é a gente que faz, usando os métodos e as técnicas que sejam mais adequadas para nossos estudos.

A IMPORTÂNCIA DOS CURSOS ESPECÍFICOS

Aproveito para dizer que os cursos têm sua importância para cada fase do certame. Para a primeira fase não fiz cursinhos de conteúdo, apesar de ter feito alguns em 2008 e 2009. Na verdade, acreditei em um curso específico que trabalha com a aplicação de métodos e estratégias de estudo que, se aplicados com seriedade, poderiam abreviar o tempo que eu levaria para ser aprovado (meu amigo Denilson indicou). Deu certo (2 vezes).

INICIANDO A ROTINA DE ESTUDOS

No início foi muito difícil. Saí dos grupos de WhatsApp, me fechei para o mundo, para a família (de certa forma), para os lazeres, mas algo me atrapalhava muito: o trabalho. Eu gosto de ser Oficial de Justiça, todavia o volume de trabalho na Comarca que eu estava lotado em 2017 era muito alto. Havia dias em que eu saía de casa às 8h da manhã, trabalhava, almoçava na rua, trabalhava de tarde, e chegava em casa depois das 9h da noite. E considerando as peculiaridades daquela Comarca, acabou virando rotina.

Quando consegui minimizar minhas crenças negativas e potencializar as positivas, já em maio de 2017, vi que era possível ser aprovado na 1ª fase do MP/RO com pouco tempo de estudo, desde que tivesse estratégia. Aproveitei então para gozar algumas licenças e, logo em seguida, férias. Tive os 60 dias que antecederam a prova objetiva para focar apenas nos estudos.

Estudei naqueles meses de junho e julho do ano passado como se minha vida dependesse daquilo. Não indico o estudo extremo, de 10 ou 12 horas por dia, porque depois de alguns meses fica difícil retomar a rotina de 6 horas diárias, o cérebro fica esgotado, mas quando é algo temporário, pode ser proveitoso.

Nos 15 dias anteriores à prova objetiva do MP/RO, me dediquei às revisões/resolução de questões. Tentei rever tudo aquilo que havia estudado nesse período, sempre reservando um momento para a revisão dos informativos (muito importante).

ÊXITO DE FASE EM FASE

O engraçado é que apesar de ter planejado e executado meus estudos direcionados ao MP, sem cogitar uma preparação específica para a DPE, acabei tendo um bom desempenho nesse concurso também (o intervalo entre as provas objetivas foi de um mês, sendo que a prova do MP/RO veio primeiro – no início de agosto de 2017). Passei na 1ª fase do MP/RO empatado com os últimos (200º), ao passo que na DPE/RO estive empatado com o 90º.

Para a segunda fase fiz alguns cursos específicos para as respectivas carreiras, que também foram proveitosos, cada um contribuiu um pouco para meu desemprenho nas provas discursivas. Como a segunda fase da DPE/RO seria 45 dias após o MP/RO, foquei primeiro no certame para Promotor de Justiça, depois fiz o oposto.

Apesar de ter sentido o nervosismo das provas discursivas (3 no MP/RO e 2 na DPE/RO), as provas orais eram as que mais me intimidavam. Senti aquela síndrome da “máscara caída”, sentimento de que “eu era uma fraude”, que os examinadores iriam descobrir que eu “não sabia de nada”.

É incrível como a felicidade da aprovação na 2ª fase se transforma em um mar de preocupações tão rapidamente. Imaginem isso acontecer na época das festividades de final de ano!

DRIBLANDO AS ADVERSIDADES DA VIDA

Antes de iniciar meus estudos, em novembro e dezembro de 2016, minha esposa foi acometida de uma pancreatite aguda grave, permanecendo internada na UTI por 12 dias e mais 18 dias no quarto do hospital, sem contar os 3 primeiros dias que ela esteve internada no interior do Estado, na cidade onde morávamos. Foi um período muito difícil, pois temos dois filhos e na época o mais novo estava com um ano e quatro meses, enquanto o mais velho tinha quatro anos.

Graças a Deus ela melhorou (foi um renascimento) e pôde me dar o apoio que eu precisava para estudar e conseguir essas aprovações.

Em razão dessa doença, nas semanas que antecederam as provas discursivas do MP/RO ela precisou passar por uma intervenção cirúrgica. Tudo correu bem, mas naquela semana eu não consegui estudar quase nada, sendo que no sábado seguinte (véspera da primeira prova) ela passou mal e passamos a tarde no hospital (fiquei lendo a jurisprudência em teses do STJ pelo celular).

Há coisas que acontecem em nossas vidas que são realmente desanimadoras, mas essas provações nos mostram que a fé em Deus é mais forte que a dor e isso deve nos animar para superar esses desafios, dia após dia.

Hoje minha esposa está ótima, assim como meus filhos e o restante da minha família, graças a Deus.

CONHECENDO O CURSO CLIQUE JURIS

Com a data da prova oral da DPE/RO chegando (início em 19 de fevereiro de 2018), me inscrevi em dois cursos específicos, um on-line e outro presencial. O curso on-line serviu para me dar uma boa base, foi muito bom, mas o curso presencial do Clique Juris foi excepcional.

A boa impressão começou quando o professor Pedro Wagner fez alguns encontros pelo Skype que sequer estavam no pacote, ou seja, a preocupação dele era de preparar os alunos para o curso presencial (achei isso maravilhoso).

O primeiro encontro à distância durou quase duas horas (isso mesmo, quase duas horas de conversa, dicas, treino, por iniciativa do próprio curso e sem qualquer cobrança extra). Depois ainda tive um encontro coletivo, no qual o grande colega e editor do Blog, Rafael Gonçalves Figueiredo, participou (naquele momento eu soube que o Rafa teria um ótimo desempenho nas provas orais).

Em momento algum, friso, o Curso Clique Juris cogitou número mínimo de participantes. Havia, desde o princípio, a certeza de que o curso presencial seria feito, independentemente do número de inscritos. Isso me deu mais confiança para fazer a contratação.

A IMPORTÂNCIA DO CURSO PRESENCIAL PARA O BOM DESEMPENHO NAS PROVAS ORAIS (DA DPE/RO E DO MP/RO)

No dia e hora marcados, lá estava eu, nas dependências do Hotel Slavieiro, em Porto Velho/RO, para o curso preparatório da minha primeira prova oral, do meu segundo concurso para Defensoria Pública, e que também serviu para a prova oral do meu primeiro e único concurso público para Ministério Público (o MP/RO).

Na recepção, percebi que eu havia sido o primeiro a chegar (todo engravatado), e assim que vi o professor Pedro servindo seu café da manhã, não hesitei e já fui cumprimenta-lo. Naquele momento só confirmei o que já desconfiava: que ele era uma ótima pessoa. Me chamou para sentar à mesa com os demais professores (Rafael Bravo e Marco Dominoni), todos muito solícitos, me parabenizando pelo sucesso nas provas anteriores.

Notei posteriormente que o Dr. Fábio Roberto (Defensor Público de Rondônia) seria um dos professores. Fiquei muito animado, pois como Oficial de Justiça pude trabalhar em algumas sessões do Tribunal do Júri em que ele atuou.

Quando as arguições começaram, após as instruções iniciais, notei que os professores (da foto acima) não estavam de brincadeira. Perguntas em cima de perguntas, algumas simples, outras complicadas, mas sempre havia algum comentário a fazer, pontos a serem melhorados, comportamentos a serem corrigidos. Preciso advertir que em momento algum os professores tentaram nos “robotizar”, mas nos ensinaram a aproveitar nossos pontos fortes (cada um teve uma análise personalizada, assim como as dicas).

Os cursos on-line também corrigiram muitas falhas, mas presencialmente há outros vícios que aparecem, além do nervosismo.

Os “examinadores” do curso tinham variadas personalidades: em alguns momentos eram “camaradas”, noutros momentos eram “Bravos” (kkk), e até mesmo “estátuas”. Na prova oral da DPE/RO me deparei com todos esses tipos.

Treinamos diversas situações: sentados, em pé, próximos à mesa do examinador, longe dela, respondendo a um de cada vez, respondendo a ambos de uma vez, com reperguntas, sem reperguntas.

Ao final do curso, que se estendeu até às 23h no primeiro dia e até às 21h no segundo, a sensação era muito diferente dos dias anteriores. É claro que ainda havia preocupação com a prova, mas aquele sentimento de não saber nada havia sido minimizado, praticamente sumiu.

OS DIAS DAS PROVAS ORAIS

A primeira prova oral que fiz foi da DPE/RO (21 de fevereiro de 2018 – um ano após iniciar os estudos: 22 de fevereiro de 2017).

Nas horas que a antecederam o nervosismo estava como uma montanha-russa, aumentava, reduzia, aumentava, reduzia. A minha primeira banca foi Direito Constitucional + Direitos Humanos, sendo que fui arguido somente sobre Direito Constitucional. Naturalmente foi a parte mais tensa da prova, depois as demais arguições ficam “mais fáceis” (não no conteúdo, mas na desenvoltura). O resultado foi muito bom (8,75), finalizei o concurso em 20º lugar.

A segunda prova oral foi do MP/RO (20 de maio de 2018).

Considerando que houve sorteio dos pontos (das 6 matérias) com 24h de antecedência, poderia parecer mais fácil. Ledo engano.

Sabendo que o nível de cobrança aumenta, em razão desse sorteio prévio, mantive o foco, estudei firme e fiz o que o Curso Clique Juris me ensinou: não baixe a guarda.

Em razão do tempo entre as provas da DPE/RO e do MP/RO, fiz um curso com uma pessoa que tinha experiência com a banca, assim como o sistema de sorteio de pontos. Foi muito proveitoso, pois pude perceber que 24h para revisar 6 pontos do edital acaba sendo pouco tempo.

No dia da prova, apliquei todos os ensinamentos dos cursos anteriores, dos quais o Clique Juris se sobressaiu, e consegui ter um ótimo desempenho, de modo geral. Obtive a nota 8,97 naquela prova oral, mas o resultado definitivo ainda não foi divulgado.

Aproveito para agradecer às pessoas que me deram apoio nesse período das 24h: minha esposa linda (Carla), minhas amigas Fernanda e Mariana e meus amigos Bruno e Alberto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando iniciei os estudos para o MP/RO muitas pessoas me diziam que não dava tempo, que eu precisaria de 2 anos ou mais, e essa era a minha mentalidade. Se você pensa assim, MUDE SUAS CRENÇAS. É possível a aprovação vir em menos de 2 ou 3 anos de estudo. Priorize as matérias que são cobradas com mais frequência, resolva muitas questões (todos os dias), simule provas de concursos anteriores nos finais de semana, e o mais importante: NÃO DESISTA. Precisei de 8 anos para decidir ir atrás de meu sonho, me arrependo de não ter feito isso antes. Outra dica importante: busque conscientizar seus familiares da importância dos estudos na sua vida, pois sem o apoio dos meus parentes (principalmente de minha esposa), eu não teria conseguido.

Abraços e bons estudos.

Maiko Miranda

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Maiko Cristhyan Carlos de Miranda

Oficial de Justiça do TJ/RO. Aprovado para Defensor Público e Promotor de Justiça do Estado de Rondônia. Especialista em Direito Constitucional e Administrativo pela Faculdade de Rondônia - FARO.

11 comentários em “DEPOIMENTO DE APROVADO

  • Parabéns Filho, vc é muito especial , Logo logo será chamado pra assumir, sua dedicação e ótimo desempenho Temos muito Orgulho de vc.Amamos muito.Sucesso.❤❤😘😘

  • Amigo!!!!! Bom poder te chamar assim, Maiko. Muito orgulho domteu desempenho, das tuas aprovações, mas principalmente da sensibilidade q vc tem e da humildade de compartilhar tua experiência com o nosso CCJ.
    Certamente irá inspirar muitas pessoas a perseguirem os seus sonhos.
    Grande abraço e sucesso na caminhada. Vc será um excelente Defensor ou Promotor!
    Dominoni

    • Grande Dominoni. Sou muito grato por todo apoio que tive de vocês e também por ter sido convidado a integrar a equipe do Clique Juris. Deus o abençoe, amigo. Obrigado.

  • Que Deus o abençoe Maiko,no decorrer do texto pude perceber sua sinceridade e simplicidade,tenho 49 anos,formado em Educação Física,e no sétimo período do curso de direito,tenho muita inspiração para a carreira de defensor público,mas ouço tanto:”você está bem velho né!”e ouvir trajetória como a sua alimenta minha esperança. Sucesso!

    • Olá Paulo, fico muito feliz de ler sua resposta e poder incentivá-lo ao estudo. Não se prenda a comentários desanimadores, pois se você acreditar, certamente conseguirá. Não demore para correr atrás de seus sonhos. Fiquei mais de 7 anos acomodado com o meu atual cargo, sendo que já poderia estar atuando como Defensor Público ou Promotor de Justiça há muito tempo.
      Meu instagram é @maikocristhyan, se quiser tirar alguma dúvida pode mandar direct que eu respondo.
      Abraços e bons estudos.

  • Muito interessante seu depoimento, nos mostra que não precisa passar anos estudando pra ser aprovado. Já prestei vários concursos para Defensoria Pública e não passei, inclusive DPE/RO. Percebo que preciso mudar a estratégia, ou estudar com estratégia.

    • Olá João Paulo. Tudo bem? Sim, ter estratégia é fundamental, mas o fator principal é a determinação e a resiliência. Persista até atingir seu objetivo, pois pode ser que você esteja mais próximo do que imagina.
      Abraços e bons estudos.

      • Obrigado, Maiko! Parabéns pelo trabalho que vocês desenvolvem aqui no Clique Juris, postando depoimentos, comentando questões de provas, temas relevantes… São pessoas que há pouco tempo buscavam a primeira aprovação. Hoje, aprovados. Sensacional!

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